Ouvir a seguinte frase me deixou inquieta e preocupada: “Já estou acostumado com a violência!”
. Essa frase me trouxe diversos questionamentos. Como se acostumar e se
habituar a ver tantas cenas violentas? Todos os dias somos bombardeados
com informações de crimes cada vez mais desumanos. Requintes de
crueldade que chocam a população. Mas não surpreendem mais. Será que nos
acostumamos com o que há de mais precário no (ser) humano? Ou
simplesmente fechamos os olhos e continuamos o cotidiano de nossas
vidas?
Exibição de
mães que matam seus filhos. Como o caso daquela mãe francesa que matou
oito bebês. Mas, provavelmente só irá responder na justiça pela morte de
dois, dos oito filhos que ela teria assassinado. Isso porque já teriam
se passado dez anos da morte das outras seis vítimas. Impunidade. E é
esta impunidade que gera cada vez mais a violência. Relatos de crianças
abandonadas em latas de lixo, em rios, se tornaram comuns nas noticias
diárias.
Pais que
abusam das filhas. Roubam a inocência. Inocência que não volta mais. Uma
infância interrompida. O referencial de proteção aqui é destruído. Uma
vida que será marcada pela dor e traumas, que dificilmente serão
superados na vida adulta. Contudo, tudo isso vai parecendo normal. Acho
por ter se tornado corriqueiro. Mas, não era para ser assim. É quando
achamos tudo normal, é quando fingimos que não estamos vendo, é quando
não é com a gente, que tudo isso passa despercebido pela rotina da vida.
Entretanto, se sentíssemos na pele essa dor que envolve o mundo. Será
que agiríamos diferente? Teríamos coragem de seguir adiante como se nada
tivesse acontecido? Acho que não. Creio que não. Torço para que não.
“A dor que dói
no outro é uma janela de onde eu me enxergo. É como se por um instante
fosse quebrada a nossa capacidade de diferenciação” (Texto extraído do
livro Cartas Entre Amigos). É a partir desse pensamento que devemos
agir. É vendo no outro a nos mesmo. Esse é o primeiro passo. É a partir
da compaixão que podemos nos unir e tornar o mundo diferente. Esse não é
um pensamento romancista. É uma convicção. De acreditar que tudo na
vida é mutável. De que essas cenas de violência noticiadas podem ser
substituídas por cenas de solidariedade. É assim teremos prazer de
sentar em frente a uma televisão ou folhear nosso jornal é nos
depararmos com o que há de melhor: o (ser) humano livre das atrocidades
do mundo.
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