Neste
dia 2 de fevereiro comemora-se o dia de Iemanjá. Iemanjá é considerada a majestade dos mares.
Senhora dos oceanos, sereia sagrada, Iemanjá é a Rainha das águas salgadas,
considerada como mãe de todos Orixás, regente absoluta dos lares, protetora da
família. Chamada também como a Deusa das Pérolas, Iemanjá é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento do nascimento.
No
Brasil o culto a essa entidade foi trazido pelos escravos da região do Oeste
Africano. Nosso país é o que concentra o maior número de pessoas no mundo a
cultuarem Iemanjá. No nome
Yemanya, de acordo com a grafia sagrada dos Orixás, reconhecemos o princípio
gerador a matriz dos poderes da água, a representação do eterno e sagrado
feminino: a Divina Mãe.
A
deusa das águas é equiparada, no sincretismo afro-brasileiro, à Nossa Senhora
dos Navegantes, pois como os negros não podiam manifestar cultos a seus Deuses
os africanos utilizavam imagens de Nossa Senhora (em seu aspecto
de Stela Maris, atributo herdado da deusa egípcia Ísis). Os rituais são
realizados com procissões marítimas similares aos antigos rituais egípcios e romanos
Navigium Isidi. Em Cuba e na Umbanda, Iemanjá é reverenciada como La Virgem de
Regla, padroeira dos marinheiros, enquanto que na Santeria, assim como na
Umbanda esotérica, Ela é considerada uma das sete forças originais.
De
acordo com o escritor Pierre Verger, Yeyé Omo Ejá, “A Mãe cujos filhos são
peixes” era o orixá dos Egbá, uma nação ioruba estabelecida antigamente perto
do Rio Yemojá, no antigo reino de Benim. Em razão das guerras, os Egbá migraram
para a região às margens do Rio Ogun, tornando-se o novo centro do culto de
Iemanjá, que foi então levado pelos escravos para o Brasil, Cuba e Haiti.
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Orixá dos oceanos, donde toda vida se originou, e o zelador das suas riquezas e mistérios |
O
mito descreve como Iemanjá, filha de Olookun, o Orixá dos Oceanos, teria casadopela primeira vez com Orunmilá, o deus do oráculo, e depois com Olofin,
o rei de Ifé, com quem teve dez filhos. Após algum tempo, Iemanjá fugiu de Ifé
e foi para o Oeste, onde foi encontrada pelo exército de seu marido. Sem querer
voltar para Ifé, Iemanjá quebrou uma garrafa mágica dada por seu pai/mãe para
ser utilizada em caso de perigo. Da garrafa saiu um rio que a levou de volta
para o oceano, onde reside até os dias de hoje.
Aqui
no Brasil, Iemanjá é representada como uma sereia. Também pode ser representada
como uma mulher magra e esbelta, com seios pequenos, o que contradiz suas
qualidades geradoras e nutridoras características.
Na
Tradição da Deusa, Iemanjá é a mãe ancestral do oceano, conhecida como Mami
Vata, em Gana ; Agwe, em Dahomey ; Yemayá, no Haiti; La Balianne, em Nova
Orleans e Mãe d´Água ou Janaína, no Brasil. Apesar da diversidade de nomes e
representações em seus diversos cultos, Ela é sempre a regente do mar, da lua
cheia, padroeira da fecundidade e da gestação, inspiradora dos sonhos e das visões,
mãe divina protetora e nutridora que acalenta e mitiga as dores.
Deusa
da Família: De acordo com a tradição
essa força da natureza também tem um papel muito importante em nossas
vidas. Iemanjá é quem rege as casas. Iemanjá é a família! Rege as reuniões de família,
os aniversários, as festas de casamento, as
comemorações que se fazem dentro da família. É o sentido da união,
seja ligado, por laços
consanguíneos, ou não.
Iemanjá
também
está presente nos momentos difíceis, nas decisões, nas angústias e preocupação
pelo ente querido, pois seus sentimentos geram os nossos. A necessidade de
saber se aqueles que amamos estão bem, a dor pela preocupação, é uma regência
de Iemanjá, que não
vai deixar morrer dentro de nós o sentido de amor ao próximo. É de Iemanjá a
preocupação e o desejo de ver quem amamos bem e em harmonia.
Está
presente também no nascimento, pois é ela quem vai aparar a cabeça do bebê,
exatamente no momento do seu nascimento. Se Exu fecunda e Oxum cuida da gestação,
é Iemanjá quem vai receber aquela nova vida no mundo e entregá-la ao seu
regente, que inclusive pode ser até ela mesma. Isto tem uma importância muito
grande, no sentido e na visão da Cultura Africana, sobre a fecundação e concepção
da vida humana. Iemanjá é a senhora dos lares, pois, desde o nascimento, ou a
partir do nascimento, ela cuidará da família.
Iemanjá
está presente nos mares e oceanos. É a Senhora das águas salgadas e será ela que proporcionará boa pesca nos mares, regendo os seres aquáticos e provendo
o alimento vindo de seu reino. Iemanjá é a onda do mar, o maremoto, a praia em
ressaca, a marola, É ela quem controla as marés, é ela quem protege a vida no
mar.
PRECE A IEMANJÁ
Oh! Iemanjá, Sereia do Mar. Canto doce, acalanto dos aflitos. Mãe do
Mundo tenha piedade de nós. Benditas são as benções que vem do teu
Reino. Meu coração e minha alma se abrem para receber as bênçãos de
Iemanjá. Mãezinha querida, leve toda impureza, toda negatividade, todo
feitiço, todo quebranto, toda magia ruim (peça para Iemanjá retirar tudo
de mal) de minha aura para as profundezas do mar sagrado, de onde não
terão mais poder sobre mim. Mãe que protege, que sustenta, que leva
embora toda dor. Mãe dos Orixás, mãe que cuida e zela pelos seus filhos,
e os filhos de seus filhos. Iemanjá, tua luz norteia meus pensamentos.
Que tuas águas lavem minha cabeça, derramai sobre mim a vossa proteção,
incutindo em meu coração o respeito e a veneração devida a força da
natureza que simbolizas. Permiti que vossas falanges me protejam e
amparem, assim o fazendo com toda a humanidade, nossa irmã.
Faça isso por nós, minha querida mãezinha.
Odoyá Iemanjá!
Faça isso por nós, minha querida mãezinha.
Odoyá Iemanjá!
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